Um Leão dormia sossegado, quando foi despertado por um Rato, que passou correndo sobre seu rosto.
Com um bote ágil ele o pegou, e estava pronto para matá-lo, ao que o Rato suplicou:
- Ora, se o senhor me poupar, tenho certeza de que um dia poderei retribuir seu gesto de bondade.
Apesar de rir por achar ridícula e improvável tal possibilidade, ainda assim, como não tinha nada a perder, ele resolveu libertá-lo.
Aconteceu que, pouco tempo depois, o Leão caiu numa armadilha colocada por caçadores. Assim, preso ao chão, amarrado por fortes cordas, completamente indefeso e refém do fatídico destino que certamente o aguardava, sequer podia mexer-se.
O Rato, reconhecendo seu rugido, se aproximou e roeu as cordas até deixá-lo livre. Então disse:
- O senhor riu da simples ideia de que eu, um dia, seria capaz de retribuir seu favor. Mas agora sabe que, mesmo um pequeno Rato, é capaz de fazer um grande favor a um poderoso Leão!
Uma Impala, muito vaidosa da sua agilidade e
da rapidez com que corria, encontrou um Caracol e começou a fazer pouco dele:
- Ó Caracol, tu não és capaz de
correr. Que vergonha, só és capaz de te arrastar pelo chão.
O Caracol, que era esperto, resolveu enganar
a Impala. Por isso desafio-a:
- Vem cá no próximo domingo e vamos fazer uma corrida
por esta estrada, desde aqui até ao rio.
- Uma corrida comigo? -
perguntou, espantada, a Impala. - Está bem, cá estarei.
E afastou-se a rir, pensando que o Caracol
era maluco por querer correr com ela.
O Caracol, entretanto, como tinha ido à
escola e sabia ler e escrever, escreveu uma carta a todos os caracóis amigos
dele que moravam ao longo da estrada até ao rio. Nessa carta ele dizia aos
amigos para, no domingo, estarem junto à estrada e, quando passasse a Impala,
se ela chamasse pelo Caracol, eles responderem: "Cá estou eu, o
Caracol."
No domingo, a Impala encontrou-se com o
Caracol e, a rir muito, disse-lhe:
- Vamos lá então correr os dois e
ver quem chega primeiro ao rio.
O Caracol deixou-a partir a correr e
escondeu-se num arbusto. A Impala corria e, de vez em quando, gritava:
- Caracol, ó Caracol, onde é que tu
estás?
E havia sempre um dos amigos do Caracol que
estava ali perto e respondia:
- Cá estou eu, o Caracol.
A Impala, que julgava ser sempre o mesmo
Caracol que ia a correr com ela, corria cada vez mais, mas havia em todos os
momentos um Caracol para responder quando ela chamava.
De tanto correr, a Impala acabou por se
deitar muito cansada e com muita falta de ar.
O Caracol ganhou a aposta porque foi mais
esperto que a Impala e tinha ido à escola junto com os outros caracóis e todos
sabiam ler e escrever. Só assim se puderam organizar para vencer!!
- Embora o corpo seja um só, qual é
o órgão mais importante?
Os olhos responderam:
- O órgão mais importante somos nós: observamos o que
se passa e vemos as coisas.
- Somos nós, porque ouvimos –
disseram os ouvidos.
- Estão enganados. Nós é que
somos mais importantes porque agarramos as coisas - disseram
as mãos.
Mas o coração também tomou a palavra:
- Então e eu? Eu é que sou
importante: faço funcionar todo o corpo!
- E eu trago em mim os alimentos – interveio a
barriga.
- Olha!
Importante é aguentar todo o corpo como nós, as pernas, fazemos.
Estavam nisto, quando a mulher trouxe a
massa, chamando-os para comer. Então os olhos viram a massa, o coração
emocionou-se, a barriga esperou ficar farta, os ouvidos escutavam, as mãos
podiam tirar bocados, as pernas andaram... mas a boca recusou comer. E
continuou a recusar.
Por isso, todos os outros órgãos começaram a
ficar sem forças...
Então a boca voltou a perguntar:
- Afinal qual é o órgão mais
importante no corpo?
- ÉSTUBOCA, responderam todos em
coro. TUÉONOSSO REI!
A
pequena Nina, 7 anos, morava com os pais e os irmãos numa casa humilde no Itaim
Paulista. Haviam mudado a pouco da área litorânea para a periferia da cidade.
Naquela época, as melhores escolas da região estavam em São Miguel Paulista.
Entre elas, a Escola Estadual Dom Pedro I e a Escola Estadual Carlos Gomes.
Nina iniciou os estudos nesta segunda escola. Devido às duras condições da
família durante os primeiros anos na região, muitas vezes a irmã de Nina trazia
a pequena andando pela São Paulo-Rio até chegar ao centro de São Miguel e
cruzaro bairro até o Carlos Gomes.
Foi
em uma dessas idas e vindas que Nina viu, certa tarde indo para o anoitecer,
aquela estranha mulher vestida de preto e roxo desbotado as seguindo e,
eventualmente, se escondendo atrás de um ou outro poste. Era umamulher bem velha, de pele branca amarelada,
olhos claros e cabelos longos, quebradiços e grisalhos. Nina a percebeu pela
altura do bairro de São Vicente e alertou a irmã que, ao ver a figura
escondendo-se atrás de um poste e fitando-as, não resistiu e fez a pilhéria:
“É
a Baba Yaga, Nina. Ela veio te buscar.”
Nina
era facilmente impressionada por histórias de terror. Passou noites sem dormir
e uma semana sem querer ir pra escola. A mãe, ao descobrir, deu uma sova na
filha mais velha e, com muito carinho e paciência, fez a filha perder o medo da
Baba Yaga de São Miguel. E Nina voltou a ir pra escola normalmente, sem mais
ser perturbada ou seguida pela estranha mulher.
Os
meses passaram e, certa noite, olhando ocasionalmente um velho álbum de
fotografias da família, Nina começou a chorar e chamou a mãe. Mostrou a foto de
uma mulher no álbum e disse que era a mulher atrás do poste.
“Não
pode ser, filha.” – disse a mãe – “Esta era uma amiga da vovó lá de Cubatão,
mas ela morreu quando você ainda estava na minha barriga.”
A
irmã mais velha de Nina aproximou-se, olhou a foto e confirmou a figura. A
morta da foto era a Baba Yaga de São Miguel.
“Por
que ela tava me olhando, mamãe?”
“Não
sei, filha, mas ela sempre dizia pra vovó que um dia ia cuidar de seus
netinhos...”
VEM VER!!
No
dia 23 de Agosto, durante a segunda apresentação do espetáculo FANTASMAS &
DEMÔNIOS DE SÃO MIGUEL, a Arte Educadora Tânia Lawall nos contou uma história
fantástica, ocorrida em sua infância entre São Miguel e Itaim Paulista. Esta
narrativa é baseada na sua história.
Um asno, de passo tardo, mal podendo suportar o pesadíssimo fardoque tinha de carregar, pediu ao Cavalo:
– Amigo, podes dividir
comigo a carga que mal suporto?Se assim continuar, muito em breve estarei morto.
O Cavalo respondeu: – Com isso pouco me importo. Sem demora, o Asno
morreu. Então o dono dos doistransferiu para o Cavalo todos os sacos de arroz. E foi assim que um esperto acabou bancando o otário e pagou um alto preço porque não foi solidário.
Era
uma vez um camponês muito pobre. Vivia em uma cabana tosca e seu único alimento
eram algumas verduras que colhia de sua terra cansada
Um
dia, ele encontrou uma garça machucada, com a asa destroçada. Por isso ela não
podia voar e buscar alimento: isto a deixou muito fraca, à beira da morte.
O
camponês teve pena da garça, cuidou de sua asinha e pacientemente colocou em
seu bico algumas sementes. Sua bondade a livrou da morte e quando ela pôde
voar, o camponês a soltou.
Alguns
dias depois, uma mulher adorável apareceu em sua casa e pediu que lhe desse
abrigo por uma noite. O camponês, por ser bom, não negaria esta caridade a
qualquer pessoa, mas a beleza da mulher fez com que ele acreditasse que
deixá-la dormir em sua pobre cabana era realmente uma honra. Os dois se
apaixonaram e se casaram.
A
noiva era delicada, atenciosa e tinha tanta disposição para o trabalho quanto
era bonita, e assim eles viviam muito felizes. Mas para o camponês, que já
tinha muita dificuldade em viver sozinho, ficou muito difícil cobrir as
despesas que sua nova vida de casado lhe trazia.
Preocupada
com esta situação, a esposa disse ao marido que produziria um tecido especial
(tecer era um trabalho comum para as mulheres nessa época). Ele poderia
vendê-lo para ganhar dinheiro, mas ela alertou que precisaria fazer seu
trabalho em segredo, e que ninguém, nem mesmo ele, seu marido, poderia vê-la
tecer.
O
homem construiu uma outra pequena cabana nos fundos de sua casa e lá ela
trabalhou, trancada, durante três dias. O marido só ouvia o som do tear
batendo, e a curiosidade e a saudade que tinha de sua bela mulher fazia com que
estes dias demorassem muito para passar.
Quando
o som de tecelagem parou, ela saiu com um tecido muito bonito, de textura
delicada, brilhante e com desenhos exóticos. A tecelã lhe deu o nome de “mil
penas de Tsuru”.
Ele
levou o tecido para a cidade. Os comerciantes ficaram surpreendidos e lutaram
entre si para consegui-lo. O vendedor pagou com muitas moedas de ouro por ele.
O pobre homem não podia acreditar que tão de repente a sorte começasse a lhe
sorrir.
Desde
então, a esposa passou a trabalhar no valioso tecido outras vezes. O casal
podia, com o fruto da venda, viver em conforto. A mulher, porém, tornava-se dia
após dia mais magra.
Um
dia, ela disse que não poderia tecer por um bom tempo. Ela estava muito
cansada. Seus ossos lhe doíam e a fraqueza quase a impedia de ficar em pé.
O
camponês a amava muito e acreditava naquilo que ela dizia, porém tinha
experimentado a cobiça e, como havia contraído algumas dívidas na cidade, pediu
para que ela tecesse somente por mais uma vez. No princípio ela não aceitou,
mas perante a insistência do marido, cedeu e começou a tecer novamente.
Desta
vez ela não saiu no terceiro dia, como era de costume. E o homem ficou
preocupado. Mais três dias se passaram sem que ela aparecesse. E isso começou a
deixar o marido desesperado.
No
sétimo dia, sem saber mais o que fazer, ele quebrou sua promessa, espiando o
serviço de tecelagem que ela fazia.
Para a
sua surpresa, não era sua mulher que estava tecendo. Arqueada sobre o tear
encontrava-se uma garça, muito parecida com aquela que o camponês havia curado.
O
homem mal pôde dormir à noite, pensando o que teria acontecido com a mulher que
amava. Amaldiçoava-se por ter sido insaciável e praticamente ter obrigado a sua
querida esposa a tecer mais uma vez.
Na
manhã seguinte, a porta da cabaninha se abriu e o camponês com o coração aos
saltos fixou seus olhos na porta, esperançoso em ver sua esposa sair dela com
vida.
A
mulher saiu da cabana com profundas olheiras, trazendo o último tecido nas mãos
trêmulas. Entregou-o para o marido e disse: Agora preciso voltar, você viu
minha verdadeira forma, assim eu não posso ficar mais com você!
Então, ela se transformou em uma garça e voou, deixando o camponês em
lágrimas.
O Leão e a Leoa tiveram três filhos. Um com o nome de
Coração-Sozinho, o outro de Coração-com-a-Mãe e o terceiro o de
Coração-com-o-Pai.
Coração-Sozinho encontrou um porco e apanhou-o, mas não
havia quem o ajudasse e ele não
conseguiu matar. Coração-com-a-Mãe encontrou um porco, apanhou-o e sua mãe veio
logo correndo para o ajudar. Comeram. Coração-com-o-Pai apanhou também um
porco. O pai veio logo para o ajudar. Mataram o porco e comeram os dois.
Coração-Sozinho encontrou outro porco, apanhou-o mas não o
conseguia matar. Ninguém foi o ajudar. Coração-Sozinho continuou nas suas
caçadas, sem ajuda de ninguém. Começou a emagrecer, a emagrecer, até que um dia...
morreu.
Os outros continuaram cheios de saúde por não terem um
coração sozinho.
Dizem na Guiné que a primeira viagem à Lua foi feita pelo Macaquinho de nariz
branco.
Segundo dizem certo dia, os macaquinhos de nariz branco resolveram fazer uma
viagem à Lua.
Após tanto tentar subir, sem nenhum sucesso, um deles, dizem que o menor, teve a
idéia de subirem uns por cima dos outros, até que um deles conseguiu chegar à
Lua. Mas, a pilha de macacos desmoronou e todos caíram, menos o macaquinho
menor, que ficou pendurado na Lua.
A Lua lhe deu a mão e o ajudou a subir. Ela gostou tanto dele que lhe ofereceu
de presente, um tamborinho. O macaquinho foi ficando por lá, até que começou a
sentir saudades de casa e resolveu pedir à Lua que o deixasse voltar. A Lua o
amarrou ao seu tamborinho para descê-lo pela corda, ela pediu a ele que não
tocasse antes de chegar à Terra e, assim que chegasse, tocasse bem forte para
que ela cortasse o fio.
O Macaquinho foi descendo feliz da vida, mas na metade do caminho, não resistiu
e tocou o tamborinho. Ao ouvir o som do tambor a Lua pensou que o Macaquinho
houvesse chegado à Terra e cortou a corda. O Macaquinho caiu e, antes de
morrer, ainda pode dizer a uma moça que o encontrou, que aquilo que ele tinha
era um tamborinho, um presente da Lua, que deveria ser entregue aos homens do
seu país.
A moça foi logo contar a todos sobre o ocorrido. Vieram pessoas de todo o país
e, naquela terra africana, ouviam-se os primeiros sons de tambor.